domingo, 24 de fevereiro de 2008

Em dia.




Tudo haveria de ser diferente, mas certas coisas e pessoas não tem força suficiente para passar de um mero futuro do pretérito. E apesar de supostamente não me dizer respeito, porque já não há mais elo, digo que fico puto. Porque comportar-se de tal forma? Há imaturidade mesmo naqueles(as) que possuem mais "responsa" e "racionalidade".

Se há um sujeito que possa personificar calma e paciência nesse mundo, tal sujeito sou eu. A parte impulsiva e explosiva, digna do meu elo com o meu arquétipo mais vibrante e com o "sobrenatural", fica quieta, e já é pentacampeã mundial de pagação de sapo. Há estopim para tudo. Palavras mal-ditas são comparavelmente iguais ao fogo no rastilho da pólvora. Talvez pessoas ingratas também. E egoístas, e dignas de uma pedra rolante do Bob Dylan, porque julgam que seu mundo é independente do elo que mantém com irmãos da mesma espécie humana e estúpida, humanos burros que tocam na mesma tecla e no mesmo coração, humanos que insistem em humanidade num mundo tão artificial, insensato, cinza e ao mesmo tempo publicitário, vazio e sem sentimento. É só profissionalismo maquinal, é só a busca do eterno crescer na vida sem resposta, é só desrespeito com sentimentos de outrem e terceiros. A tua viagem, viagem sem fim, não há pote de ouro no fim.

Artistas tem um filtro especial de palavras. Sabem muito bem quando devem e quando não devem ser ditas. Ora, no princípio era o Verbo, e Ele deu origem a tudo. Só que o Verbo, a palavra, a idéia é vazia quando desprovida de ação e atitude. E já tinham me avisado que só se ama muito quem se mostra disposto. Fora isso, é fonética vã e vaga, é pura onda sonora viajando no ar.

Bom, se este pequeno texto soa um tanto poético demais, pois tanto melhor. A questão é simples e diz que ingratidão é punida com ignorância e desamor é punido com distância. O melhor remédio.

Viva bem.

Outras merecerão mais a pessoa que perdeste.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Salve Comandante! - Sérgio Vaz


"Em vez de nos agredirem como nos agridem, por que é que não fazem simplesmente uma pergunta: como é possível que Cuba em 30 anos tenha feito o que a América-Latina não fez em 200 anos? ", Fidel Castro


"Cuba me lembra as periferias do Brasil, pelo menos na questão do embargo econômico, parece que todos estão proibidos de levar benfeitorias para as quebradas. Só que aqui que eles fazem isso sem pressão alguma. Viva a democracia!
Sou contra qualquer ditadura, qualquer uma, tanto de direita quanto de esquerda, que fique bem claro isso. E também sou contra qualquer Democradura, tipo Estadunidense ou Brasileira, na qual você pode falar tudo que quiser, desde de que ninguém te escute.
Tenho asco a esse nosso direito de ir e vir, desde que a gente saiba onde a gente está pisando. Tenho raiva desse nosso direito de andar livremente pelos esgôtos a céu aberto, de ruas sem asfaltos e mergulhar nas águas profundas das enchentes nos dias de chuva.
Não quero e não aceito esse direito de optar a estudar e não estudar ou ser analfabeto contra a minha vontade, e ter a obrigação a votar em raposas democráticas e velhacas que assombram o galinheiro.
"Somos um povo alegre", me diz a TV. Mas aí quando eu olho, a gente não se vê.
Veja os jornais por exemplo: estão cheios de liberdade de expressão, desde que escrevam as manchetes do patrão. Não é bacana?
Ufa!, ainda bem que aqui não tem paredão, só chacinas -não sei se o nosso povo lindo e trigueiro aceitaria ver pessoas morrerem injustamente. Para quem não sabe, no Brasil, a gente dá muito valor à vida. Sei.
Dizem que lá o povo todo vive na miséria e que eles nem têm carros novos.
Aqui não. Aqui, só nós somos os miseráveis, los otros...
Lá dizem que lá o povo é triste e não tem batucada, já aqui, eles, usam a nossa pele como tamborim, e sambam o ano inteiro sobre nossa carcaça.
Acho que o regime ideal seria aquele em que uma pessoa estivesse comendo alguma coisa e a outra não estivesse esperando para lamber a sua mão.
Aquele em que a gente tivesse a nossa casa e as outras não fossem inquilinos da rua.
Regime ideal é aquele onde o povo não é anoréxico, e que não tem vergonha de comer o fígado dos traidores da nação.
Regime ideal é aquele que o povo come os livros e não coloca o dedo na garganta, mas na cara do inimigo, e depois, vomita na cara da injustiça.
Nesse mundo repleto de bunda-moles, Fidel vai fazer muita falta.
Valeu hermano!"

Por Sérgio Vaz
(http://colecionadordepedras.blogspot.com)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Fé em São Jorge Preto




Por Gabriel Rocha Gaspar

Jorge Ben pintou em 1963 com seu esquema novo de fazer samba, que tirava a bossa nova da sala e atacava na cozinha, de aventalzinho e tudo. O som era mistura de samba de morro com samba branco de classe média, apaixonado pelo jazz e pelos standards americanos, mas também pelo terreiro, pelo beco, pela cachaça. Ben surgiu como cara preta da bossa nova, brasileira, declarada e ostensiva, sem renegar a contribuição musical dos brancos brasileiros e dos afro-americanos.

Caetano Veloso confessa em seu “Verdade Tropical”: “sua agressividade alegre e sua musicalidade deixando à mostra traços crus de samba de morro e blues numa composição de exterioridades nordestinas eram a encarnação de nossos sonhos. Parecia-me que minha ‘Tropicália’ era mera teoria, em comparação”. Ben era mais realista que o rei – ou mais tropicalista que o tropicalismo – no ímpeto pela mistura. Pode até ser coincidência, mas isso tudo combina tanto com o nome Jorge...

Isso porque São Jorge é – com licença, Caetano – a mais completa tradução do sincretismo religioso no Brasil. Seja o guerreiro palestino do século III ou o ferreiro africano casado com Oiá-Iansã, sabemos que, por aqui, ele protege os guerreiros e os pobres; é senhor do fogo, das armas, das facas, lanças e espadas. Santo guerreiro cuja imagem é tão indispensável quanto a roupa do corpo; santo escudo, sério, forte e agressivo, para ser evocado só quando caminhamos pelo vale da morte.

“Jorge de Capadócia” é tudo isso, em palavra, som e poder – seja na voz do próprio compositor ou dos Racionais MC’s. Faltou falar da gravação de Fernanda Abreu com Carlinhos Brown; faltou a do próprio Caetano também, não é? Só para constar, lá vai, em poucas linhas: a primeira faz uma colagem, tenta colocar funk, black, terreiro, bossa-nova e dance dentro da mesma coisa. Soa, no mínimo, desconexo. A gravação do Caetano é, como o nome do disco em que ela aparece anuncia, “qualquer coisa” – o arranjo inteiro prepara terreno para uma apoteose do próprio Caetano, no agudo do agudo do “salve Jorge!”. Meio over...

Solta o pavão
A gravação original foi lançada em 1975, no disco “Solta o Pavão”, penúltimo antes da migração definitiva de Ben para a guitarra. Tudo começa com o clássico violão suingado, acompanhado de João Zim no agogô, batendo tempo e contratempo. A batida surda do bumbo apresenta as vozes de Ben e do Coral do Kojak, entoando “Jorge... de Capadócia”. O estilo do canto evoca o gospel dos negros americanos – principalmente porque Ben aproveita os espaços entre as vozes do coral, com frases como “salve Jorge! Viva Jorge!”, tal qual um pastor. A marcação forte sugere palmas. Depois do último “Jorge...”, a levada da música muda bruscamente.

Entra um teclado em mi menor que não soa triste, mas denso e pesado. Parece música de filme de guerra, sinistra. Principalmente quando entra o arpstrings, que imita o som dos violinos e coros de uma orquestra. Jorge Ben entoa a oração a São Jorge Mártir: “Jorge sentou praça na cavalaria...”. As várias percussões, em primeiro plano, sugerem um terreiro – não pelo tipo de toque, que é de parada militar (pra-cum-dum), constante, mas pelo som seco do atabaque, indissociável das tradições negras, da capoeira e do candomblé.

É sincretismo para todos os lados. A oração é a mesma do santo cristão, mas os instrumentos são africanos; o som do arpstrings remete tanto à música clássica quanto ao gospel americano. E tudo soa improvisado, como boa parte da música de Ben até o final dos anos 70. Parece que saiu ali, na hora. Improviso não é novidade em se tratando de Jorge Ben, mas, aqui, tem algo de novo: o violão é constante, invariável. A virtuose está na voz do mestre, que se distancia léguas da bossa-nova, beirando o berro e a desafinação.

É isso que quebra o tom solene da gravação – no meio da reza pintam uns “sensacional!”, “maravilha!”, “em cima!”. É aquele canto de pergunta e resposta, característico da música negra no mundo inteiro. Está na obra de gente tão diversa quanto Fela Kuti, Bob Marley, Salif Keita, Ladysmith Black Mambazo, Aretha Franklin, Olodum, no samba de breque, no R&B dos 50, 60 e 70, enfim... É som de igreja, coletivo, canto escravo e tribal. É uma espécie de animação, transformando a tristeza de cada um em um desabafo de todo mundo, que puxa para a dança e as palmas. Se tem, não sei, mas garanto que é difícil localizar essa “terapia coletiva” na música de origem européia. O canto coletivo europeu parece tender mais para o hino e para o louvor.

Jorge africano
Por isso, “Jorge de Capadócia” soa tão profundamente arraigada na religiosidade e espiritualidade negras, apesar de glorificar um santo “importado” dos brancos. Extrapolando um pouquinho a letra da música, poderia dizer que este Jorge nascido na cidade de Capadócia é, na verdade, o Ogum natural de Ifé, seu correspondente no candomblé carioca e paulista. Ogum é guerreiro, senhor das armas (“...se quebrem sem o meu corpo tocar”), evocado nas batalhas quando o inimigo é forte e poderoso (“para que meus inimigos tenham mãos e não me toquem!”).

O fotógrafo e pesquisador Pierre Fatumbi Verger conta em seu livro “Orixás”, que Ogum voltou a Irê depois de muitos anos para visitar seu filho, rei daquela cidade. “Infelizmente, as pessoas da cidade celebravam, no dia de sua chegada, uma cerimônia em que os participantes não podiam falar sob nenhum pretexto. Ogum tinha fome e sede; viu vários potes de vinho de palma, mas ignorava que estivessem vazios. Ninguém o havia saudado ou respondido às suas perguntas. Ele não era reconhecido no local por ter ficado ausente por muito tempo. Ogum, cuja paciência é pequena, enfureceu-se com o silêncio geral, por ele considerado ofensivo. Começou a quebrar com golpes de sabre os potes e, logo depois, sem poder se conter, passou a cortar as cabeças das pessoas mais próximas, até que seu filho apareceu, oferecendo-lhe suas comidas prediletas, como cães e caramujos, feijão regado com azeite de dendê e potes de vinho de palma. Enquanto saciava sua fome e sua sede, os habitantes de Irê cantavam louvores onde não faltava a menção a Ògúnjajá, que vem da frase Ògún je aja (“Ogum come cachorro”), o que lhe valeu o nome de Ògúnjá. Satisfeito e acalmado, Ogum lamentou seus atos de violência e declarou que já vivera bastante. Baixou a ponta de seu sabre em direção ao chão e desapareceu pela terra adentro com uma barulheira assustadora. Antes de desaparecer, entretanto, ele pronunciou algumas palavras. A essas palavras, ditas durante uma batalha, Ogum aparece imediatamente em socorro daquele que o evocou. Porém elas não podem ser usadas em outras circunstâncias, pois, se não encontra inimigos diante de si, é sobre o imprudente que Ogum se lançará”.

Em uma discussão, tomar Ogum por testemunha, tocando a lâmina de uma faca com a ponta da língua, é sinal de sinceridade absoluta. Coisa séria. Racionais MC’s bem sabem disso.

Ogunhê!
“Ogunhê!” é a saudação a Ogum, quando ele baixa. “Ogunhê!” é como começa o que talvez seja o disco mais incisivo dos Racionais MC’s, “Sobrevivendo no Inferno”. O álbum os alçou definitivamente ao estrelato, com faixas como “Diário de um Detento”, “Capitulo 4, Versículo 3”, “Em Qual Mentira Vou Acreditar” e vários outros, digamos assim, sucessos. Esse “digamos assim” é proposital. Porque, quem é louco de evocar o poder de Ogum para fazer sucesso?

A chamada de Ice Blue mostra duas coisas: que o disco vem preparado para a guerra; e que Racionais confiam que o santo está do seu lado. O chamado substitui o gospel de Ben na introdução, mas o gospel está em cada segundo da música escolhida por Kl Jay para fazer a base. “Ike’s rap II”, de Isaac Hayes não é exatamente uma música cristã – apesar de integrar o álbum que leva o incisivo nome de “Black Moses” – e ele próprio está bem longe de ser um bom samaritano. Sua fama de proto-rapper gringo deriva não só de seu talento em recitar poesias sobre bases de funk e soul, mas de seu trato explícito com as mulheres e da exibição ostensiva de seu patrimônio.

Mas Hayes foi um garoto pobre de Covington, no Tennessee. Passou fome, catou algodão nos campos do sul – o que suscita em qualquer negrão a memória ancestral da chibata – e cantou na Igreja desde os cinco anos de idade. A música coletiva negra, o gospel em especial, é poderosa em exorcizar males pelo desabafo e pela universalização. O gospel é algo embutido na própria religiosidade do negro. Ultrapassa as fronteiras da religião em si.

Pode estar aí a relação entre a escolha da base e a alma gospel. Apesar do vocal que tende ao soul, da batida típica do rap americano e do solo chorado de guitarra, tão bluesy, essa é a gravação que melhor dialoga com a original – considerando as desconsideradas de Caetano e Fernanda e Carlinhos Brown –, mesmo sem percussão nem violão. Isso porque a evocação de Ogum é como um grito de largada para a improvisação vocal que guia a música inteira, desembocando em um “salve Jorge” melancólico, contrastante com o de Caetano. “Ogunhê!” soa aqui como um lastro de confiança na luta: a certeza de que a palavra mágica voltará o santo contra os inimigos.

Passada a prece, feita com solenidade e devoção, tanto a São Jorge quanto a Ogum, a música sofre um corte abrupto e Mano Brown joga na mesa as suas cartas: uma Bíblia velha e uma pistola automática. Aqui, as armas de Jorge.



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Esse é pra "Chinesa Gorda"

Querida Fanny Zhou, como uma de nossas paixões musicais é o Dub, estilo derivado da Reggae Music, vou disponibilizar a tu algumas músicas do que eu considero um verdadeiro achado: Asian Dub Foundation. Faz pouco tempo que os conheci, mas já fiquei de cara no negócio. Bom mesmo! E é dedicado a você, cara amiga de olhinhos puxados!












Bom, então vê um breve histórico da banda nesse site do caderno Ilustrada, da Folha:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u58876.shtml

"Quando as velhas denominações se acabam, novos rótulos são aplicados. Urbano, crossover, fusão – é como tentar retratar um vulcão. Então que venham os grupos de foco, os demográficos ultra específicos e as entusiasmadas empresas de pesquisa. Simplifiquem. Não arrisquem-se. Lancem as Britneys robôs, as exterminadoras loiras-platina, os belos meninos brancos que transformarão ira urbana em fantasias masturbatórias do subúrbio. Histórias ganham ritmo. Culturas florescem. Certezas sangram umas em outras. E, mais que qualquer outro grupo de músicos no planeta, o ADF articula e personifica esse processo sem fim. O ADF é o som de uma monocultura explodindo."



Asian Dub Foundation - Fortress Europe:
http://rapidshare.com/files/92111042/209-asian_dub_foundation-fortress_europe__jazzwad_remix_.mp3.html

Asian Dub Foundation - Culture Move:
http://rapidshare.com/files/92112436/202-asian_dub_foundation-culture_move__pusher_sound_mix_.mp3.html

Asian Dub Foundation - Siberian Slengteng:
http://rapidshare.com/files/92113268/204-asian_dub_foundation-siberian_slengteng.mp3.html

Asian Dub Foundation - Modern Apprentice:
http://rapidshare.com/files/92114406/207-asian_dub_foundation-modern_apprentice.mp3.html

Asian Dub Foundation - Debris:
http://rapidshare.com/files/92115553/09_-_asian_dub_foundation_-_debris.mp3.html

Asian Dub Foundation - Th9:
http://rapidshare.com/files/92116248/07_-_asian_dub_foundation_-_th9.mp3.html

Asian Dub Foundation - Th9 (Acid):
http://rapidshare.com/files/92117333/11_-_asian_dub_foundation_-_thacid_9_dub_version_.mp3.html

Asian Dub Foundation - Rebel Warrior:
http://rapidshare.com/files/92118496/04_-_asian_dub_foundation_-_rebel_warrior.mp3.html

Asian Dub Foundation - Jericho:
http://rapidshare.com/files/92119576/03_-_asian_dub_foundation_-_jericho.mp3.html

Bom, recomendo sem frescura todas essas músicas. Se você gostar, ponho mais, porque já possuo uma porrada.

Tenho outro negócio interessante aqui que você também pode baixar neste site:
http://www.radiolaurbana.com.br/index.asp?Fuseaction=Conteudo&ParentID=3&Menu=3&Materia=1409
Aí, no capítulo intitulado "Jamaica Hi-Fi 9", encontram-se quase uma hora seguida de músicas de grupos de ska, reggae e dub que exploram ao máximo a linguagem de seus estilos. É válida a influência eletrônica e também dos nyahbinghis (tambores africanos), em várias das músicas. Recomendo também.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Abrem-se os Umbrais da Madrugada - outubro de 2006

Já passa da meia-noite
E espero o ferro-velho ambulante
Já não suporto mais
O peso de mais um dia vivido
No entanto, sou subtraído
Pelas divagações da madrugada
E, em meio a centenárias construções
Sinto-me num cenário noir
Brumas, sereno e névoas
O mistério espreita a cada esquina
Embaixo das opacas e públicas luzes
No aconchego da solidão e do inóspito
Quase posso ouvir o estalo de uma porta distante
De repente, volto à realidade:
E que cinismo de realidade!
Ao longe, um louco
Recitando versos insolentes
Para seus deuses inexistentes
Olha para mim como se eu fosse o avatar
Do próprio Deus da Loucura!
Murmura soberbo línguas ancestrais,
E sai correndo,
Temeroso de sua própria sombra...
No ar, um odor fétido me embriaga
E reparo nas fezes não de um cão,
Mas sim de um ser humano!
Ó, valorosa companheira
Se ao menos pudesse dialogar comigo...
Delirando com a atmosfera do resto de um resto
Delírio este que foi quebrado por um jornal
Que, carregado pelo vento cortante,
Cai por cima do fedorento e instantâneo amigo
E continuo só...
Tudo a minha volta é puro Submundo
E compartilho com Este que me rodeia
O último cigarro de um maço amassado
É, no momento, a única,
Única oferenda que entrego à este Deus
Deus sujo, decrépito e decadente
Mas que reina absoluto
Por entre vales, escarpas e quebradas,
De prédios horrendos e empoeirados
Cujas estilhaçadas fachadas somem com a névoa
Contribuo com a minha oferenda porca de tabaco,
E os tótens de pedra e aço somem ainda mais...
No entanto, minha desatenção é cortada
Pelo farol catequizador de minha condução,
Que chega finalmente
E digo "minha" porque vejo que ela está vazia
E sentando em seus bancos conquistei-a
Pensando, como um cavaleiro para o seu cavalo:
- Leve-me deste lugar amaldiçoado!
Amaldiçoado, mas fascinante,
E que o culto aos Deuses da Madrugada
Recomece amanhã,
Porque estarei aqui.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Renovação de Votos - 5/02/2008

É de inteira responsabilidade que assumo meus atos
E o rei dos deuses relembra-me, todos os dias,
De sustentar todo o meu mundo e o seu mundo
Em minhas costas
Mas não faço isso com pesar, apesar da amargura-agrura
Que esmaga homens e mulheres sem culpa

Todos os santos dias.
Embora o teu altar prossiga vazio

E é no olho já não tão bom que observa
Que sinto tão pesado fardo, irremediável,
Irreversível,
Que o Grande Olho diz ser irrisório
Tal qual a quantia em bolsos de bichos soltos

E o Sol febril ainda reina, ainda queima
Embora o teu olhar prossiga vazio

Aliciado pelas fileiras de tão filisteus exércitos?
É em ainda orgulhosa honra que profere-se um "não"
E a cada convite constrói-se um castelo de um homem só
Contra tudo e contra todos?
Por tudo e por todos
E é em orgulhosa honra que profere-se um "sim"

E o poder do dinheiro ainda vigora
Embora a tua mente prossiga vazia

Meu grito não mais é dirigido a direções amplas
Mas é tão inocente-furioso como agudo de Paganini
Tocou com uma só corda em teu violino, a lenda diz
E ainda que só uma corda vocal sobrasse
É com abrupta explosão de ar e ideal que prossegue

E a boa alface ainda é jogada ao lixo
Embora o teu estômago prossiga vazio

É, pois, com inédita reverência-paciência
Que não vos abandonareis, pois como vós sois sou
Sem divindade, sem messianismo, sem falsa pretensão
Eis o dragão mais subterrâneo-cutâneo que Jorge-Ogum
Já enfrentou
Ainda assim, doerá a vós, mas não a mim
Nego o alistamento, teu fuzil jamais carregarei
E mais leve parece o mundo
E a vida-luta continua.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

A Força Da Tradição No Mundo Ao Avesso

A modernidade anunciou o triunfo da Razão. Ela representou a possibilidade de construção de um mundo novo, de costas para o passado medieval, contra os valores morais e teológicos predominantes na Idade Média. Em seu lugar, impôs a racionalização do processo de produção, a impessoalidade nas relações, a dominação das elites que buscaram moldar o mundo ao seu pensamento, através da conquista de novos mercados, pela organização do comércio, a produção fabril e a colonização.

O triunfo da Razão, idéia essencial da modernidade, representou a substituição de Deus pela Ciência: as crenças religiosas foram relegadas à vida privada. A Razão fez tábula rasa da tradição secularmente fundada no predomínio das idéias e dos valores cristãos-medievais que submetiam o destino dos homens e, também, das formas de organizações sociais e políticas fundadas na crença e no domínio dos costumes.

“Tudo que é sólido desmancha no ar”: eis a síntese da modernidade. No lugar da segurança, da coesão social fundada na moral cristã-medieval, dos espaços territoriais bem definidos, de uma compreensão estática e perene do tempo, a força dos sentimentos e dos vínculos pessoais etc., a modernidade impõe a insegurança das incertezas, a crise dos parâmetros, a desarmonia. Como escreveu Berman (1986:15), o homem moderno vive sob o “redemoinho de permanente mudança e renovação, de luta e contradição, de ambigüidade e angústia”.

Contudo, a modernidade apresentou-se como uma utopia positiva que parecia dar novo alento à humanidade. Acoplada à idéia de ordem e progresso, infundiu a ilusão de que os homens finalmente caminhavam em direção à felicidade e à liberdade. Não por acaso, cunhou-se o termo iluminismo. Os filósofos das luzes iluminam as trevas da medievalidade; e confiam exclusivamente na Razão.

Esta percepção positiva da modernidade não está isenta de crítica. No seio do próprio iluminismo, Rousseau apontou os limites do progresso e da ciência e observou o quanto vivemos sob as aparências, numa sociedade essencialmente hipócrita e corrompida:

“Que cortejo de vícios não acompanham essa incerteza! Não mais amizades sinceras e estima real, não mais confiança cimentada. As suspeitas, os receios, os medos, a frieza, a reserva, o ódio, a traição, esconder-se-ão todo o tempo sob esse véu uniforme e pérfido da polidez, sob essa urbanidade tão exaltada que devemos às luzes de nosso século”. (Rousseau, 1978: 336)

Nós, homens e mulheres frutos desta modernidade, vivemos sob o signo de uma era onde, como na transição do homem cristão-medieval ao homem econômico racionalista, permeia a transitoriedade, o incerto, o fugidio, ou seja, a angústia da falta de perspectivas; da insegurança com o amanhã; o medo diante da ciência, da sua capacidade de criar novos Frankenstein e sua teimosia em desejar substituir o criador; o ceticismo diante do progresso; a sensação de que perdemos os valores fundamentais que dão coesão à vida em sociedade; a impotência diante do Estado e dos processos políticos etc.

A realidade social parece confirmar os piores prognósticos: o “admirável mundo novo” de Aldous Huxley parece se impor; ou, talvez o pior, confirma-se o imaginado por George Orwell em sua obra 1984. Não necessariamente através da imposição de um Estado Totalitário, mas pelo absolutismo de mercado que controla todas as esferas da sociedade, impondo o pensamento único e desenvolvendo formas de controle da privacidade, como por exemplo, os mecanismos de rastreamento e definidores de perfis de usuários utilizados por empresas comerciais via Internet.

Vivemos num mundo de pernas pro ar. Neste mundo ao avesso, milhares e milhões são excluídos dos direitos e das condições básicas de sobrevivência. Esta realidade é petrificada no instantâneo virtual da mídia; o real é banalizado, transformado em números estatísticos, objeto de estudo e fonte para angariar recursos financeiros pelos que vivem dos intermináveis projetos sobre os miseráveis.

No mundo De pernas pro ar, a necessidade é irmã do medo e o próximo é o inimigo real ou virtual. Como afirma Galeano (1999:07-08):

“Quem não é prisioneiro da necessidade é prisioneiro do medo: uns não dormem por causa da ânsia de ter o que não têm, outros não dormem por causa do pânico de perder o que têm. O mundo ao avesso nos adestra para ver o próximo como uma ameaça e não como uma promessa, nos reduz à solidão e nos consola com drogas químicas e amigos cibernéticos”.

No mundo novo fictício de Aldous Huxley, a estabilidade social é sustentada pela estratificação social e o condicionamento programado em laboratórios – cada um no seu lugar – e pelo uso de uma substância denominada Soma, garantia da solidez emocional e antídoto à doença que acomete os críticos, aqueles que teimam em contestar o pensamento e a ordem absolutos. As drogas do mundo real não são apenas aquelas que tornam os narcotraficantes os poderosos de nossa época, senhores que controlam políticos, policiais, juízes e populações. Não! As drogas modernas assumem ares de inocência: apresentam-nas sob a embalagem religiosa; sob a ingênua programação televisiva; sob o rótulo propagandístico que estimula o consumismo, o ter e o individualismo; sob o refúgio da virtualidade dos chats e da overdose de informações e do lixo que transita on-line pela Web.

Os indivíduos buscam a felicidade sob o abrigo do pscicologismo da indústria de auto-ajuda, no consumismo, no misticismo e no intimismo. A realidade social não lhes diz respeito; treinam a insensibilidade e fogem, como o diabo foge da cruz, de qualquer compromisso coletivo com as transformações necessárias para humanizar o mundo real. Vivem nas nuvens!

Na Idade Média a ideologia dominante pregava o conformismo: as esperanças dos pobres se centravam no idílico paraíso pós-morte. Em nossa época, democratizou-se o conformismo e a busca da salvação individual: pobres, empresários, madames e senhores da classe média viram as costas ao mundo real – esta triste realidade! – e disputam em igualdade de condições um lugar no céu. Os que se enriquecem e vivem da fé alheia agradecem.

Uns e outros apaziguam as consciências através do assistencialismo, da esmola e do altruísmo religioso. Como o homem do século XIX, assustado diante da sociedade industrial, há o retorno e o apego desesperado às tradições. Os interesses e as contradições sociais e individuais dão lugar à conciliação, à harmonia, à irmandade. Há algo de positivo nisto: o resgate da humanidade, dos valores humanitários. Mas, seria demais rigoroso observar em tudo isto o reino da hipocrisia?

O refúgio nas tradições tem as suas vantagens. Em primeiro lugar, é o tipo de atitude social e individual que foge ao controle da Razão instrumental e do Estado. Depois, malgrado todos os elementos hipócritas, não há como não se emocionar com a pureza dos sentimentos resguardados nos melhores corações, em especial dentre as crianças. É lícito reconhecer que em meio à ideologia do mercado que transforma momentos de confraternização em mera troca de mercadorias, mercantilizando os próprios sentimentos e as relações afetivas, sobrevivem verdadeiras manifestações de solidariedade que fogem à lógica mercantil.

Por fim, também devemos reconhecer que a Razão triunfante da modernidade não conseguiu – felizmente! – por termo a todas as tradições, o que significa a possibilidade de mantermos um elo com o passado, aprender com este e resguardar aquilo que ainda nos dá o status de humanos e não de autômatos obedientes aos ditames da lógica do mercado. A sobrevivência da tradição nos ajuda a contrapor nossa subjetividade à racionalidade cega e objetiva, contribuindo para a crítica racional a um mundo desencantado com sua própria realidade.

De Émile Zola

" É preciso ver o homem moderno com suas múltiplas ocupações, vivendo lá fora, devorado pela necessidade de conservar sua fortuna e aumentá-la, a inteligência tomada por problemas sempre renovados, a carne adormecida pela fadiga de sua batalha cotidiana, ele próprio transformado em pura engrenagem na gigantesca máquina social em plena atividade."

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Guerra


É travada na rua e na avenida
Uma guerra quase sem igual
Automóveis de gente bem-nascida
Contra toda essa gente do mal
Que metáfora tão brilhante
Da querida sociedade moderna
De um lado, a elite do volante
Do outro, o povão da baderna
Ao pobre-diabo do pedestre,
Reserva-se o direito de quieto ficar
Pedestre do diabo e pobre
Não basta na sua faixa andar?
Poesia engraçada e irônica
Tal qual sua estúpida publicidade
Aliás, estupidez é doença crônica
Dos grão-finos da cidade
Mas voltemos nossa atenção
Para tão particular e desigual luta
Atropelado e esmagado é o peão
Já tão cansado da labuta
(E antes mesmo de brilhar o amarelo no sinal)

Ademais, sobram problemas
Para o coitado do senhor burguês
Tem razão mesmo do trânsito reclamar
Ainda que na garagem tenha só três
Deus do céu, é muita injustiça
Meter tanto pau na bunda
De quem tanto trabalha e não rouba
Se o povão tivesse mesmo razão
Teria no lugar das pernas uma roda
Afinal, quem são eles para se encostarem
No cromado novo que mandei pintarem?
É melhor para vocês se situarem
O único motor a que tem o prazer de ver
É domingão na TV: Ferrari e Mclaren!

E resta ao povo, como se na TV olhassem,
Uma partida magistral de tênis:
Lá e cá, cá e lá, carros admirarem
Audis, mercêdis e beêmis!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Sábio. Muito.

Coríntios 13

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Blues

Estruturalmente, o Blues acabou se fixando numa forma bastante rigorosa, quase clássica: 12 compassos, divididos em três partes iguais, no esquema A-A-B, com um acorde diferente sublinhando cada parte. O segundo verso invariavelmente repete o primeiro:

"I´m going down and lay my head on the railroad track.

I´m going down and lay my head on the railroad track.

When the train come along, I´m gonna snatch it back."


Esta é a estrofe típica do Blues e, como salientou o maestro Leonard Bernstein no seu LP "O que é Jazz", sua métrica é a do pentâmetro jâmbico, uma das mais clássicas de toda a literatura. Em tom de brincadeira, naquele álbum didático, Bernstein canta e toca ao piano um "Macbeth Blues", baseado num importante trecho da peça de Shakespeare:


"I will not be afraid of death and bane,

I will note be afraid of death and bane,

Till Birnam forest come to Dunsinane."


A origem da estrofe do Blues pode estar ns antigas baladas anglo-saxônicas - as "ballits" - que os negros aprenderam na América. Misturando o seu grito primal com as canções de trabalho e com as canções de ninar, com a harmonia dos hinos religiosos e com a estrutura das baladas, o negro americano chegou ao Blues, sua principal forma de expressão. Nada melhor do que um professor de Literatura e historiador do Jazz, Marshall Stearns, para definir a estrofe do blues:


"(...) é um bom veículo para uma narrativa de qualquer tamanho. Ao mesmo tempo, é mais dramática: os dois primeiros versos criam a atmosfera de modo claro pela repetição e o terceiro desfere o golpe. A estrofe do Blues é comunicação concentrada, feita sob medida para a apresentação ao vivo em meio a um público participante."

Estação Blues

Madrugada alta
O trem deixa a estação
O sino é soado
E aumenta a solidão

Viajo em novos sonhos
Noite clara, céu azul
Dormindo no maldito vagão
O próximo ponto é a estação Blues
Estação Blues,
É onde quero chegar
Estação Blues,
E com ela vou sonhar

Quero ver de perto
O velho e cego cantador
Sei que não pode me ver
Só vê o azul e sente a dor

Lá fora um breu sem fim
E por trás já surge a aurora
Ao longe, já posso notar
Estação Blues, chegou a minha hora
Estação Blues,
É onde quero chegar
Estação Blues,
E com ela vou sonhar

sábado, 19 de janeiro de 2008




Retalhos de cidade e pensamento aparecem

Caminhos por onde andamos

Trilhando fielmente, mão a mão


Mas este imenso aglomerado humano

Está incompleto

Ainda que quase vinte milhões vivam tão próximos à mim

Em nenhum deles encontrarei você


Por mais labirínticas que sejam as ruas

Tão semelhantes ao meu pensamento

Ainda existe o horizonte claro e belo

Por isso, mais exata que a Matemática

Mais certa do que a morte que um dia virá e ceifará-me

É essa sensação tão estranha e tão viva

A certeza de que nos ambientes mais ferozes

Nasce a flor

Por isso, tempos difíceis existem e exisitirão

Mas, indiferente e mais poderoso que isso tudo

É o meu amor, que resiste, como flor e horizonte

Ainda que distante, ainda que viajante.














O graffiti da foto é creditado à Cena 7*

Isso que é má-vontade!



"A Fome" - Desenho de José Pádua

As prioridades do orçamento mundial

* Gastos em Dólares
Armamentos - 80 bilhões
Fumo - 40 bilhões
Publicidade - 25 bilhões
Cerveja - 16 bilhões
Vinho - 8,6 bilhões
Golfe - 4 bilhões

Total do necessário para satisfazer as necessidades elementares de saúde, educação e alimentação de todas as crianças do mundo - 3,4 bilhões

Fonte: Unicef, órgão da ONU para a infância.





sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

"Não é difícil reconhecer um filho de Ogum. Tem um comportamento extremamente coerente, arrebatado e passional, aonde as explosões, a obstinação e a teimosia logo avultam, assim como o prazer com os amigos e com o sexo oposto.Os homens e mulheres que têm Ogum como seu Orixá de cabeça, vão ter comportamentos diferentes, de acordo com os segundos e terceiros Orixás que os influencia. De qualquer forma, terão alguns traços comuns: são conquistadores, incapazes de fixar-se num mesmo lugar, gostando de temas e assuntos novos, conseqüentemente apaixonados por viagens, mudanças de endereço e de cidade. Um trabalho que exija rotina tornará o filho de Ogum um desajustado e amargo. São apreciadores das novidades tecnológicas, são pessoas curiosas e resistentes, com grande capacidade de concentração no objetivo em pauta; a coragem é muito grande, a franqueza absoluta, chegando mesmo à falta de tato."

Como reagiria ele à uma encruzilhada?

Orixás, arte e brasilidade


Caboclo Mata Adentro"


"Cultura em Movimento"


Para quem gosta ou aprecia tais assuntos, vai como dica esse site do artista Rodrigo Bueno, que
tem uma poética e uma produção artística bem peculiares. Vale a pena conhecer:

www.mataadentro.com.br

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Palavras de ordem

Articulação

Aprofundamento

Amor

Meditação

Espera

Confiança



Sucesso

Não justificarei o porquê.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Al-Siqilliyya

Como bom mediterrâneo e meridionale, apresento-lhes um pouco de alguns de meus ancestrais e sua cultura, que dominaram a Itália por boa parte da Idade Média e a influenciaram em muito, até pouco tempo atrás na escala da História. O povo da Lua crescente. Os viajantes do deserto africano, do mar Helesponto, e aqueles que nos trouxeram toda a filosofia que articulou o mundo ocidental, toda a ciência e toda a matemática. Sarracenos, turcos, otomanos, bérberes, ienemitas, libaneses. Árabes.


Interior da Capela Palatina, na Sicília, que já foi uma mesquita muçulmana.



















Arte islâmica: "A Ascensão de Maomé", produzida antes da proibição da religião à representação da Natureza, por influência dos judeus. A pintura mostra uma proximidade com a arte persa, e por conseguinte, com a chinesa.













Praça Bellini, no centro de Palermo, Sicília, que possui uma igreja de origem normanda e outra de origem árabe. Sim, havia tolerância entre as três grandes religiões monoteístas.


















Visão diurna da praça.
















Cúpula da ex-mesquita, hoje igreja de San Cataldo.















Jean-Léon Gérôme - "O mercador do Cairo" (1869), óleo sobre tela.
















quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Músicas para você

Como mesmo um cd era dispensável na sua calculada mala de viagem, faço o que tinha me proposto a fazer, deixando músicas para que baixe, nesta sábia invenção conhecida por internet. Algumas tem relação com nós, por isso pede-se prestar atenção nas letras. Outras foram compartilhadas por você e eu, em momentos que considero obviamente muito especiais. E outras são especiais para mim, tendo o seu lado romântico, cada uma ao seu modo, mas que certamente mexem com o meu sensível. Quando fores lembrar de mim e quiser uma trilha sonora, por favor, faço questão que baixe qualquer uma das músicas abaixo. Qualquer uma. Sim, obviamente que elas estão livres para quem quiser baixar ("no problem, mam!"), mas eu dedico-as à você. Só você. Ah, sim, e a foto foi tirada em novembro, quando eu estava em Presidente Prudente, falando ao celular adivinhe com quem?

Se sabe né?






Alberta Hunter - "Remember My Name" :
http://www.zshare.net/audio/63889854443dc4/

Aretha Franklin - "I Say A Little Prayer" :
http://www.zshare.net/audio/6389073e5e6200/
Porque eu faço todos os dias por você uma pequena oração.

Barry White - "Kiss And Say Goodbye" :
http://www.zshare.net/download/6389132afcdf77/

Björk - "All Is Full Of Love" :
http://www.zshare.net/audio/6389205057994a/
Não só você, mas eu também aprecio essa esquimózinha fofa, ainda mais falando de amor.

Björk - "Isobel" :
http://www.zshare.net/audio/6389289cfd7fd1/
Outra bonitinha dela.

Black Alien - "Como Eu Te Quero" :
http://www.zshare.net/audio/6389414f8e1ab7/
Indo para a chácara, me surpreendi quando você tinha uma do Black Alien. Mas a identificação foi imediata, ainda mais quando gosto de andar de calça abaixada, cueca aparecendo...Raggamuffin romântico que não esqueço mais.

Bob Marley - "Don´t Rock My Boat" :
http://www.zshare.net/download/63895702f5c992/
Apesar de você não admirar tanto assim a reggae music, penso que o Bob é um dos únicos que sintetiza revolução, amor e espiritualidade com maestria. Essa é simplezinha, mas eu adoro.

Bob Marley - "Is This Love" :
http://www.zshare.net/download/638970245eadff/
Talvez a laranja mais espremida do Bob, ainda assim para mim é uma das melhores. Sempre gostei, desde muito tempo atrás, e não vou deixar de gostar. Definição perfeita da musicalidade do reggae e do amor.

Chico Buarque e Nara Leão - "João e Maria" :
http://www.zshare.net/audio/63897606b77c31/
Amor também tem um quê de aventura e de fraternal.

Chuck Norris - "Let Me Know" :
http://www.zshare.net/download/638984627d9a6a/
Não, não é o ator. É um bluesman homônimo cantando a dor da partida.

Cidade Negra - "Onde Você Mora" :
http://www.zshare.net/audio/63899703bc72cd/

Djavan - "Oceano" :
http://www.zshare.net/audio/639004807a3693/

Foo Fighters - "Walking After You" :
http://www.zshare.net/audio/6390139c38ccc1/
Porque tudo o que eu corri atrás por muito tempo na minha vida veio representado por você.

Gilberto Gil - "A Paz" :
http://www.zshare.net/download/639018352d42a1/
A música tocava, eu nos afazeres, me arrumando para o trabalho, e de repente vejo você olhando para mim. "Tá fazendo o quê?" - "Tô te namorando."

Gilberto Gil - "Drão" :
http://www.zshare.net/download/6390263cfddcf7/
A mais bela música do Gil, em minha opinião. Tenho a impressão de que foi feita para a esposa.

Gilberto Gil - "Esperando na Janela" :
http://www.zshare.net/download/6390295f78cd16/
Quando você me ensinar o forró que você havia prometido, quero que seja com essa música.

Gilberto Gil - "Sina" :
http://www.zshare.net/audio/6390353f9d5eac/
Porque você é a minha.

Gilberto Gil - "Tempo Rei" :
http://www.zshare.net/download/6390409e2ac1bb/

Gilberto Gil - "Tenho Sede" :
http://www.zshare.net/download/6390452602e87b/
Simples mas bela canção.

Gilberto Gil - "Esotérico" :
http://www.zshare.net/download/639054333cd69a/
Se eu sou algo incompreensível, meu Deus é mais.

Inner Circle - "Black Roses" :
http://www.zshare.net/audio/63906619042406/

Jimi Hendrix - "Hear My Train Comin´" :
http://www.zshare.net/audio/63907338692768/

Jimi Hendrix - "Little Wing" :
http://www.zshare.net/audio/6390776d879b88/
Quando o deus da guitarra fala de amor, não desaponta. E a guitarra também fala por ele.

John Coltrane - "Body and Soul" :
http://www.zshare.net/audio/63908636c4ec3d/
Porque, quando sozinho pensava em você, era um jazz que me aplacava corpo e alma. Ainda é.

Lenny Kravitz - "It Ain´t Over Til´It´s Over" :
http://www.zshare.net/download/63908987c9ea74/

Madeleine Peyroux - "You´re Gonna Make Me Lonesome When You Go" :
http://www.zshare.net/audio/6390970a016c3a/
Eu sei que quem gosta mesmo dela é a Bel, mas essa canção sem dúvida diz muito, a começar pelo título. Ah, sim! Um jazz. Lindo.

Marisa Monte - "A Sua" :
http://www.zshare.net/audio/6391044020effb/
Não podia deixar de ter, lembrança da "Nova Brasil" que tanto ouvíamos no carro.

Marisa Monte - "Não é Fácil" :
http://www.zshare.net/audio/6391083469124a/

Marvin Gaye - "Please Stay (Once You Go Away)" :
http://www.zshare.net/audio/63911479254eb4/
Acho que esse título diz tudo. Quando a ouvimos junto, você olhou prontamente para mim como se quisesse dizer: "É para mim, né?"

Michael Jackson e Jackson 5 - "I Want You Back" :
http://www.zshare.net/download/6391191d0b0af6/
Auto-explicativa.

Michael Jackson e Jackson 5 - "Never Can Say Goodbye" :
http://www.zshare.net/download/6391313df49994/
Outra famosinha deles. Gostosa de ouvir.

Milton Nascimento - "Peixe Vivo" :
http://www.zshare.net/audio/6391419331fc30/
Me apaixonei por esta música, desde quando era abertura da minissérie JK. Hoje, ela realmente cai como uma luva. "A minh´alma chorou tanto, que de pranto está vazia. Desde que aqui fiquei, sem a tua companhia".

Mzuri Sana - "Improvise" :
http://www.zshare.net/audio/639145246b5ea1/
Podes até não lembrar, mas ela tocou pouco antes de entrarmos no cinema do SP Market. Eu disse: "Uau, Mzuri Sana tocando em pleno shopping!", mas você obviamente desconhecia Mzuri Sana. É simplezinha, mas pus devido ao momento que tocou.

Os Paralamas do Sucesso - "Tendo a Lua" :
http://www.zshare.net/download/6391534b51ad5c/
Bonitinha.

R.E.M. - "The One I Love" :
http://www.zshare.net/audio/63916350b7e1b8/

Rh Factor - "Crazy Race" :
http://www.zshare.net/audio/63916711db7063/
Um jazz-funk-beat bem bonitinho. Você também ouviu junto comigo, depois de passar no atacadão.

Rump - "Positivo" :
http://www.zshare.net/download/6391706911a83a/
Porque a felicidade não tem preço.

Seal - "Kiss From a Rose" :
http://www.zshare.net/audio/6391799fa23e4b/
Gosto muito. Não tem muito que ver, mas lembro de você sempre com ela. Não tente a letra, não há uma identificação. Ainda assim, toda vez lembro do meu amor. Do beijo da rosa.

The Beatles - "Here Comes The Sun" :
http://www.zshare.net/download/6391884228171a/
Porque você é o meu Sol.

The Beatles - "Something" :
http://www.zshare.net/download/639193699161d4/

U2 - "I Still Haven´t Found What I´m Looking For" :
http://www.zshare.net/audio/63919701d4585e/
Apesar de eu já ter achado o que eu procurava, acho a música bonita.

Vinicius de Moraes e Toquinho - "Samba da Benção" :
http://www.zshare.net/download/63920808e1d1df/
A frase mais citada e vivida por nós veio desta canção. "A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida." Embora eu insista que a vida continue a ser a arte do encontro. Né?

Willie Kent - "Memory of You" :
http://www.zshare.net/audio/639214710239af/
Mais um blues bonitinho.


Acho que para finalizar, uma das minhas maiores certezas: amo-te.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008


Meu amor por você
é multiplicado pelo número
de estrelas no céu.
O céu do 31 de dezembro
O céu do novo ano
O novo ano que vem e diz
Que ele é nosso
Talvez nem o ano
Mas de fato, o céu
E quem tem o céu, tem o mundo
Prova-se então
que não somente eu mando nele
No mundo?
Não; no meu coração.
Então prova-se outra coisa:
o amor não é egoísta
ele é um comunismo a dois
Partilhado, batalhado, solidário
Só que, ao contrário de lá
A Revolução não aconteceu
em outubro de 1.917
Ela aconteceu, em verdade
Em novembro de 2.007
E quem sabe o significado desta palavra,
"Revolução"
Sabe que ela denomina
A viagem completa do mundo
Em torno do Sol
É quando o círculo se completa
E volta o mundo ao mesmo lugar
Portanto, tenho esperança
No mundo, na Revolução, no coração, no céu
Todos se entreligam,
E dizem que um dia
Você completará o seu círculo
E voltará.